Em uma tarde de quinta feira…não, apaga.
Em uma manhã ensolarada…não, apaga. Em uma manhã de sábado. Pronto,
“manhã de sábado” sempre causa um efeito melhor nos textos. Como eu
dizia, em uma manhã de sábado o dia começou não tão diferente quanto os
outros; o sol ainda estava lá e a rua continuava animada com os vizinhos
fazendo coisas que só se faz em uma manhã de sábado. Mas alguma coisa
estava diferente. Um mistério estava no ar, e eu sabia que eu tinha que
desvendá-lo. Levantei da cama e fui logo à cozinha saborear as
deliciosas panquecas de sábado que meu pai fazia. Não, apaga, quem hoje
em dia tem pais que preparam panquecas em uma manhã de sábado? Ao menos
nenhum dos meu colegas. Vamos escrever isso direito, Joaquina. Logo
levantei da cama e fui à cozinha colocar dois miojos para preparar.
Pronto, isso parece uma manhã de sábado. Subi para o meu quarto para
arrumar minha cama e de repente, pela janela do quarto, vi algo branco
correndo pelo jardim do quintal. Eu sabia! – logo pensei – sabia que
tinha alguma coisa estranha no ar. Corri desesperadamente pela escada e
quase levo um tombo, não que essa seria a primeira vez, mas levar um
tombo na escada não era o meu plano para uma manhã de sábado, entende?
continuei correndo até a porta da cozinha que dava saída direta para o
quintal. Andei de um lado para o outro, revirando tudo. Tudo parecia tão
normal que eu sabia que tinha alguma coisa estranha. Na porta estavam a
mamãe e o papai com um sorriso no rosto, quase como se estivessem
zombando de mim. Como se eles soubessem o que estou procurando. E eu
logo cansei, sentei no balanço e fiquei somente com a pulga atrás da
orelha. E não é que o que eu procurava surgiu do nada em meio aos pés de
alface que mamãe plantara. Branco como a neve, olhos azuis como o céu e
um focinho que não parava de se mexer: era um coelho. Surpresa! –
gritaram mamãe e o papai – e dei um sorriso pra disfarçar minha decepção
por aquele coelho ser somente mais um coelho. Ele não tinha um relógio e
muito menos me levaria para o país das maravilhas. FIM! Não, apaga.
Quem é que termina uma história com fim? Ao menos ninguém que eu
conheça. E depois dessa manhã de sábado eu aprendi algumas coisas:
primeiro, “manhã de sábado” realmente deixa o texto legal. Segundo,
quando você cresce para matar sua fome são necessários dois miojos. E
terceiro, quando criamos muitas expectativas podemos nos decepcionar com
a realidade, mas não morremos com as decepções. Na verdade aprendemos
algumas coisas.
Beijos e abraços, Joaquina.


Amei UwU
ResponderExcluir